Sobrenatural

 

A primeira experiência, que tenho na memória, da Presença de Deus comigo, foi aos 6 anos, em 1973. Eu estava morando com uma tia, por três meses, em uma fazenda na cidade de Campo Mourão (PR). Era uma tarde linda, e eu estava muito feliz na carroceria de um caminhão, indo tomar banho no rio. Lembro que estava olhando as copas das árvores, e os céus que passavam sobre a minha cabeça, e que cantava, com toda certeza de salvação, que já existia em meu coração: “Além do Céu Azul, foi Jesus preparar, um lar pra dar a quem a vitória alcançar”. 

No fim deste mesmo ano, lembro da minha primeira oração respondida por Deus. Lembro estar em Campo Mourão, sentada na minha cama, com uma agulha e linha de costura, em um pedacinho de pano na minha mão. Pedi a Deus, que me desse linhas para costurar. Assim que voltei para a minha casa, minhas irmãs me fizeram subir na cama, para espiar o que havia no alto do guarda-roupa. Surpreendentemente, ali estava, era uma caixa de sapatos, cheia de linhas coloridas, que minha mãe havia comprado para ensinar, nós, suas filhas, como bordar.  

O meu chamado para o ministério foi entre os 11 e 12 anos. Me recordo de duas vezes, que o meu coração queimou por missões. A primeira vez, foi através de um filme, que narrava a história de missionários, que foram assassinados quando pregavam o evangelho, em uma tribo africana. E a segunda, foi através da biografia de Valnice Milhomens, que atuava como missionária em Moçambique. Um pouco mais tarde, já aos treze anos, conheci em Dourados (MS) o ministério da Mis. Ester Ergas e Mis. Ana Wollerman. Meu coração ardeu, com um desejo profundo de ser, semelhante a elas, uma serva consagrada e fiel, usada para a Glória de Deus. 

Entre tantas lembranças da minha juventude, há duas que guardo com carinho, diante de Deus. 

A primeira, foi a maneira milagrosa de Deus me colocar em um Curso de Bacharel em Piano, numa faculdade em São Paulo. Foi milagrosa, porque eu fui reprovada na prova de piano, mas no mesmo dia do vestibular, encontrei uma professora desconhecida que intercedeu por mim, apesar da minha incapacidade. Lembro que naquela mesma noite, em um ônibus, eu ouvi no meu espírito, um coral cantando um hino, que dizia assim: “Nada impossível é, se em Deus a fé tu tens”. O impossível se realizou para mim, e mesmo sem o nível necessário, eu fui admitida na Faculdade e me mudei para São Paulo. 

Foi neste período em São Paulo, que experimentei a minha primeira cura. Eu tinha um desvio na coluna, que me causava muitas dores. Certa noite, durante um culto, um pastor orou por dores na coluna, e eu senti como que uma massagem em minhas costas. Fui totalmente curada! 

A segunda lembrança, que guardo com muito carinho, foi o cuidado de Deus, com todos os detalhes do meu casamento. Eu aguardava de Deus uma revelação, que viesse através dos meus pais, quanto a ser o Olmiro o meu esposo, ou não. E, certo dia, enquanto minha mãe orava, Deus lhe deu uma visão de duas mãos com um pano, burilando uma grande pedra. Deus lhe disse: “Esta pedra é o Olmiro, e tudo o que ele passou na vida, foram as minhas mãos o preparando para a Débora”. Nesta certeza, eu e o Olmiro começamos namorar dia 1 de setembro de 1989 e nos casamos dia 1 de setembro de 1990. 

Deus cuidou de cada detalhe. Até o modelo de vestido de noiva e do véu curto, Ele providenciou como eu queria. Consegui de S. Paulo, emprestado. 

Eu e o Olmiro nos casamos quando eu estava com 23 anos, e ele com 27. Após 3 anos de casados, começamos o "Projeto Filhos". Parecia que todo diagnóstico médico era contra nós. Eu tinha útero retrovertido, bicorno, e além disso, ovário policístico. Consequentemente, isto representava uma grande dificuldade para engravidar.  

Certo dia, em um Encontro da ADHONEP, na cidade de Dourados (MS), onde morávamos, fui à frente durante o apelo do preletor. Ele me perguntou “O que você está pedindo para Deus?”. Eu lhe disse “Quero engravidar”. Logo em seguida, ele chamou meu esposo também à frente, e nos perguntou se queríamos menino ou menina e lhe respondemos “Menina”. Então, ele disse: “Pode agradecer, porque o Senhor está enviando uma menina para vocês”. Exatamente dali nove meses, em 19 de fevereiro de 1994, a Julie Ane, nossa primeira filha, nasceu. 

Ainda no ventre, eu me lembro de um momento incrível, alisando a barriga já grande e dizendo: “Ah, eu queria tanto que você cantasse!”. Ouvi no mesmo instante, a Voz de Deus me dizendo: “Por que você não me pede?”. Então, eu pedi que aquele nenê, no meu ventre, tivesse uma voz linda para cantar. Hoje, a Julie Ane não tem apenas uma voz linda para cantar. Ela é produtora musical, toca vários instrumentos, e o mais importante, é uma adoradora dedicada, sempre tocando e liderando em ministérios de louvor e adoração.

Dali dois anos e meio, em 1996, recebemos outro grande presente de Deus, o nosso filho Jônatan. 

Lembro que na gravidez dele, eu tive uma crise de rinite alérgica, que não me deixava dormir, porque eu não conseguia respirar. Tomava medicação e passava a noite pingando gotas no nariz, para desobstruir a constipação. Certa manhã, resolvi colocar minha fé em ação. Orei, entrei em batalha e joguei toda a medicação no lixo. Naquela noite, não dormi de tão constipada que eu estava. Logo ao amanhecer, corri para a lata do lixo, abandonando a fé, e buscando os remédios. Glória a Deus! Não encontrei nada! O lixeiro já tinha passado! (rsrsrs). Daquela noite em diante, dormi totalmente curada por Jesus. 

Outra experiência com Deus, que me marcou, foi na amamentação do Jônatan. O meu leite cessou, logo nos primeiros três meses de amamentação. Era a segunda vez que isto ocorria, só que desta vez, eu resolvi lutar pela bênção de poder amamentar. Orei, busquei ao Senhor, e Ele me respondeu, com o texto de Lucas 6:38a dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, trasbordando, vos porão no regaço...”. Lá estava eu, com o Jônatan no colo, andando de um lado para o outro no quintal da nossa casa. Ele chorava de fome, e eu teimava em colocá-lo no peito, para mamar o leite, que não havia em mim. Enquanto isto, declarava esta Palavra em voz alta: “‘Dai e dar-se-vos-á’, Eu estou dando, o Senhor vai me dar”. O meu leite voltou em tal abundância, que o Jônatan mamou durante um ano. Nada se compara ao Grande Amor, que Deus tem por todos nós! 

 

EXPERIÊNCIAS EM MARABÁ (PA) 

 No final de 1996, fomos morar em Marabá (PA), por dois anos, devido uma transferência do exército dada ao meu esposo Olmiro. A Julie Ane tinha 2 anos e o Jônatan 4 meses. Foi de fato um tempo de mudanças, tanto de cidade e estado, como de propósito e sonhos dentro de mim.  

Em Marabá, minha vida espiritual subiu para um outro nível. Algo diferente e novo aconteceu dentro de mim. Eu fui ativada pelo Senhor! O meu ministério, que até então tinha sido na área de música, tanto no Seminário Ana Wollerman como em nossa igreja local, entrou em uma nova dimensão. 

Em Marabá, o Senhor me colocou à prova como fez com Abraão, quando lhe pediu o seu filho, Isaque. 

Estávamos a poucos dias em Marabá, quando a Julie Ane adoeceu com sarampo e febre muito alta. Como se não bastasse, para fazer a sua própria mamadeira, ela abriu a tampa do fogão, tentando alcançar o leite fervendo, que eu havia deixado ao fundo. O fogão virou, e o leite fervendo caiu sobre grande área das suas costas e pescoço. Foi assustador! 

Já era noite. Eu me lembro da Julie Ane internada, com as costinhas em carne viva, de maneira que não tínhamos como pegá-la. Eu me lembro da médica dizendo, por causa do sarampo: "Agora mãe, não sabemos o que vai ser". Eu me lembro do corredor do hospital, e eu andado de um lado para outro, cantando em meu espírito, "Os que confiam no Senhor, são como Monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre"1. Em alguns momentos, eu parava de cantar e dizia em voz alta "Eu não me abalo". 

Foi em meio a esta luta comigo mesma, que ouvi a Voz do Senhor me dizendo: "Eu vou visitar a Julie". Ao ouvir isto, o meu coração se encheu de fé, eu cri que Deus viria naquele quarto à noite para curá-la, e que de manhã não haveria mais aquela queimadura, tão feia e dolorida, nas costas da minha filha. 

Eu fui para o seu quarto, mas não conseguia dormir. Me ajoelhei no chão, orei, chorei, fiquei aguardando a visita, que Deus havia me prometido. De súbito, ouvi Sua Voz, novamente, me dizendo: "Eu disse que viria visitar, mas não disse que viria para curar. E se for para levar a Julie, você ainda vai querer a Minha Visita?" 

Uma dor muito grande entrou no meu coração, e uma luta muito grande se travou dentro de mim. Se eu Lhe dissesse "Cancela a Tua Visita", Deus não viria e não levaria a Julie, porém, eu estaria dispensando a ‘Presença’ mais importante de nossas vidas.  

Com toda luta e resolução que cabia em meu coração de mãe, naquele momento, eu disse a Deus: "Senhor, a Tua Presença sempre vai ser a coisa mais importante da minha vida, por isso, mesmo que seja para levar a Julie, eu ainda quero a Tua Visita. Só que eu quero ver os anjos, levando a minha filha". 

Cantei uma música entregando a Julie Ane para Deus, que dizia "Venho Senhor, esta vida oferecer, como oferta de amor e sacrifício...", e, aguardei. Eu me sentei na cama ao lado, encostei na parede, e fiquei olhando para o leito da Julie, esperando a Visita. 

Adormeci, não sei por quanto tempo, e fui acordada com um toque, algo como um sino pequeno. Abri os meus olhos, e o quarto estava envolto em fumaça. A Nuvem de Glória do Senhor, estava ali. 

Tentei me levantar, mas uma mão, uma força me empurrou novamente de encontro à parede. Eu vi o tripé, que sustentava o soro, chacoalhar fortemente de um lado para o outro. Apareceu uma luz no soro, que foi descendo pela mangueira, até sumir na mão da Julie Ane. Então, eu ouvi a Voz do Deus de Amor, me dizendo: "Eu coloquei vida naquele soro". 

Ao amanhecer, a Julie Ane não tinha mais a febre alta do sarampo, as manchas foram sumindo, e para a Glória de Deus, ela entrou no processo de restauração da queimadura. Deus foi tão Maravilhoso, que não deixou uma marca sequer, em suas costas. 

Depois desta experiência, eu nunca mais fui a mesma! Coisas e apegos desta terra começaram a morrer para mim. 

Ainda em Marabá, em uma outra ocasião, o Senhor me pediu o meu esposo Olmiro. Foi assim... 

 O Miro tinha viajado de helicóptero, em uma missão sobre a selva amazônica, quando eu ouvi a Voz do Senhor me dizendo "Eu vou levar o Miro". Em minha mente vieram todas as probabilidades de um acidente com o helicóptero, e entrou uma dor imensa no meu coração, no entanto, eu não sentia que devia Lhe pedir nada. Ele é o Senhor, Ele é Quem determina todas as coisas. Eu orei, e como fiz com a minha filha, também fiz com o Olmiro, dizendo "É Teu, Senhor! Pode levar! ". 

Passei a tarde com muita dor no coração, esperando a que horas viria a má notícia. Já no fim da tarde, como num sopro de esperança, eu ouvi o Senhor me dizendo "Eu não vou mais levar". Na mesma hora passou a dor, a angústia, e eu vi que mais uma vez o Senhor me havia colocado à prova, quanto ao meu amor, dependência e entrega de tudo o que eu tenho. 

Depois de aproximadamente uns 13 anos, já morando em um outro lugar, o Senhor me levou a uma mesma experiência de entrega do Jônatan, esta foi através de um sonho na madrugada, me fazendo sentir por um longo tempo a dor da perda, porque iria levá-lo. Depois de meses, desta vez, finalmente me deu a certeza na alma "Eu não vou levá-lo". 

Tive outra experiência de cura, quando ainda em Marabá. O Jônatan sempre ficava doente, com peito carregado, tendo que fazer inalações. Ele recebeu o diagnóstico de que tinha uma bronquite alérgica, que o acompanharia por toda a sua vida. Eu entrei em batalha espiritual, não aceitando esta verdade médica, e cada vez que lhe dava um remédio natural, que me ensinaram, declarava a sua cura. Pela Graça de Deus, o Jônatan nunca mais teve aquelas crises. 

Certa vez, em Marabá, eu fui surpreendida por Deus, através de uma mulher chamada Maria dos Anjos. Ela chegou em minha casa, através de uma amiga, e me ativou com palavras que nunca eu imaginaria receber. Profetizou o meu Ministério na Palavra e que eu seria muito usada por Deus, como conferencista. Algo muito importante me foi entregue naquela tarde. 

Deus começou me levantar para orar nas madrugadas, e me direcionar para o ministério de libertação. Tive nesta época muitas experiências na área de batalha espiritual. Deus abriu os meus olhos para ver o mundo espiritual, de uma forma que eu nunca tinha visto. Me lembro de atravessar uma pequena selva na vila militar, atravessar uma ponte sobre um rio, sozinha de carro, para chegar à igreja, e ministrar as vigílias que Deus tinha colocado em minhas mãos, fazendo o mesmo trajeto de volta, altas horas da noite. 

Me lembro de uma madrugada orando no meio da mata, apenas com duas mulheres, e de um demônio que chacoalhou o mato, bradando como uma fera. 

Uma certa vez recebi um telefonema de uma amiga me dizendo: "Débora, o Senhor mandou eu te ligar para dizer, que você vai ser pastora". Naquela época, ano de 1998, não se ouvia falar em mulheres pastoras (no meio batista), por isso, só depois de muito tempo compreendi o peso daquela palavra. 

Enfim, Marabá foi um tempo feliz em uma terra de calor, rica em selva, rios e animais, mas também, foi um tempo de deserto, de muitas batalhas espirituais travadas. Consequentemente, aqueles dois anos em Marabá, foram um divisor de águas na minha vida. Assim que chegamos de volta à nossa cidade, eu estava decidida a pregar a Palavra e salvar pessoas. Deste modo, cursei Teologia do ano de 2000 ao ano de 2003, no Seminário Batista Ana Wollerman, e em 2004 fui consagrada ao ministério pastoral, pela Convenção Batista Sul Matogrossense. 


EXPERIÊNCIAS NO MINISTÉRIO PASTORAL

Louvo a Deus, de forma muito especial, pela vida do meu esposo. Ele me apoiou, aceitou o meu chamado, pagou os meus estudos, e cuidou das crianças enquanto eu saía de casa todas as noites, para estudar. 

Lembro que no dia do meu concílio, uma grande luta se travava dentro de mim. Eu já estava a um ano e meio, à frente de uma missão em um bairro chamado Cachoeirinha. E, justamente por isso, eu não queria ser pastora. Eu não queria o peso que isto implicaria na minha vida. Eu não queria o compromisso, as cobranças e as demandas pastorais. Eu queria ser usada por Deus apenas na área de pregação da Palavra, como conferencista, viajando sem compromisso fixo com uma igreja local. 

Naquela tarde, de 19 de junho de 2004, antes de receber a oração de consagração ao ministério pastoral, no culto de ordenação, que seria logo mais à noite, eu entrei no meu quarto, me ajoelhei e chorei muito diante do Senhor. Ali entreguei minha vida nas Mãos Dele, para o que Ele quisesse realizar através de mim. Não mais a minha vontade, mas a Dele. 

Falando um pouco mais sobre a Cachoeirinha, que citei acima... No ano de 2003 Deus nos chamou como família, para implantarmos uma Igreja no Bairro Cachoeirinha que, nesta época, era conhecido como um bairro de periferia, violência e tráfico. Era uma igreja filiada à Igreja Batista Boas Novas, em que meu pai era o pastor. 

Deus foi muito gracioso com todos nós. Foi neste ministério, em meio a tantas lutas e batalhas com o mundo espiritual e com pessoas, que a Julie Ane e o Jônatan aprenderam a tocar, trabalhar para Deus e amar a Sua Obra. 

Lembro do primeiro amiguinho que o Jônatan levou para o batismo, e como ele ouviu a Voz de Deus lhe dizendo: "Este é só o primeiro dos que você vai pescar para Mim. Eu vou fazer de você, um pescador de almas". 

Lembro do Jônatan, também nesta idade, deitado no banco de trás do carro, com as pernas para cima me dizendo "Mãe, eu quero curar pessoas". Esta ideia nunca saiu da sua mente, primeiramente ele pensou que seria medicina, depois psicologia, e agora aos 22 anos ele já sabe, que o tempo todo era um chamado para a “Medicina Sobrenatural de Deus”. 

Como família, presenciamos muitas transformações de vidas no Cachoeirinha. Muitos frutos que deixamos, ainda hoje frutificam na mesma igreja ou em outras igrejas locais. Além disso, treinamos seminaristas que trabalharam conosco, e hoje são uma bênção como pastores, educadores e ministros de louvor. 

Foi no Cachoeirinha, que tivemos mais uma experiência incrível com o Deus da Provisão. 

Nós iniciamos um trabalho na rua, que foi transferido para um salão, no fundo de uma casa. Nossa entrada era no máximo 1.500 reais, e Deus começou fazer promessas de nos dar um templo. As frases que Ele me dava para pregar àquelas 20 a 30 ovelhas, eram: “Não temos dinheiro, irmãos, mas se Deus quiser Ele pode dar ordem até na China, para eles darem um templo para nós”. “Deus não mostrou o lugar ainda, irmãos, mas não tem importância, porque o que os homens demoram três anos para fazerem, Deus faz em três dias!. 

No final daquele ano, Deus me mostrou em sonho um salão para alugar, na rua principal do bairro Cachoeirinha. Era um salão pequeno, mas adequado para o nosso tamanho. Tinha uma coluna no meio, que atrapalhava para ver o púlpito, mas tinha a grande vantagem de ter uma boa casa ao fundo, onde poderiam ser as classes para as crianças. Entramos no novo salão! Depois de algum tempo, o aluguel se tornou em uma proposta de compra, com pagamentos um pouco maior que o valor do aluguel, mas, nós conseguimos e o adquirimos. 

Ao lado deste salão havia um terreno vazio, e eu e meu esposo fomos direcionados a procurar o dono, e lhe pedir como doação. Depois de pensar por dois meses, e buscar informações sobre nós, o dono nos ofereceu o terreno, em troca de pagarmos por um ano a mensalidade de um aluno universitário. Deus providenciou uma pessoa da igreja mãe, para doar esta mensalidade em nosso lugar, e assim, sem recursos, conquistamos um salão pequeno, uma casa para as classes, e um terreno vazio ao lado. 

Você pode pensar que a história acaba aqui, mas Deus sempre tem mais para nos surpreender. 

Deus levantou um missionário dos Estados Unidos, Walter Ponder, que atuava na área de doação e construção de templos, para cumprir as Suas Promessas, pregadas no púlpito: “De um outro país, veio uma equipe de irmãos à nossa terra, e “em uma semana”, construíram e inauguraram em nosso terreno vazio: o templo, os bancos, o púlpito e até a mesa de Ceia do Senhor. Foi Tremendo! O Nosso Deus é o Deus do Impossível! Ele pode, em qualquer lugar, dar ordem às pessoas e aos anjos para que trabalhem em nosso favor! 

Deixamos este ministério no final de 2009, devido a uma transferência do exército, para meu esposo servir em Belém. Passamos dois anos em Belém, e debaixo de uma direção de Deus, voltamos para nossa cidade, para eu fazer parte da equipe pastoral da IPI de Dourados (Igreja Presbiteriana Independente de Dourados). No dia que fomos apresentados à Igreja, Deus me disse assim que voltei ao meu lugar:Aprenda depressa, porque Eu vou te tirar daqui”. 


EXPERIÊNCIAS NO DESERTO 

Após dois anos, final de 2013, eu tive a certeza de Deus, que precisava sair da IPID e iniciar o “Projeto Transformar”. Esse foi o nome que Deus me deu, para o que, no meu pensamento, seria o meu ponto de chegada: Uma Igreja próspera e muito abençoada. 

Em 2014 demos início, com alguns amigos, a uma célula. Após quase um ano, com recursos vindos do céu, alugamos um salão. Em breve espaço de tempo Deus nos deu tudo, cadeiras, som, e tudo o que precisávamos. Éramos em uns doze, mas todos os meses o Senhor honrou o valor do aluguel e demais despesas. 

O Projeto Transformar era para Deus, o lugar que Ele preparou para me crucificar. Embora sentíamos a Sua Presença de forma sobrenatural, em todos os encontros, durante um ano o Senhor não permitiu, que ninguém entrasse em nosso salão, ou se entrava, Ele não permitia que quisesse permanecer. Eu e o Miro passávamos a manhã no templo, orando e buscando por respostas do Senhor, até que todas as portas se fecharam. Não entrou mais o suficiente para pagarmos o valor do aluguel, e o Senhor nos deu a direção para fechar o Templo, e doar tudo o havia nele para uma pastora, que tinha a sua igreja em um local bem apertado, e com poucas cadeiras. 

A maioria das pessoas se revoltou com o fechamento e com a doação do material, conforme a direção que nós havíamos recebido do Senhor. Foi tudo muito difícil! Eu comecei a aprender o que é se deixar morrer, por amor ao Senhor. E se deixar morrer, através de pessoas nos crucificando. A Palavra que o Senhor nos dava era: “... Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.” (Jo 12:24) 

Para concluir, quero dizer que finalmente enterramos na terra a semente “Projeto Transformar”. Descobri algum tempo depois, em minha intimidade com o Senhor, que o tempo todo, “Eu” é que era o “Projeto Transformar”. “Eu” é que Ele queria transformar. “Eu” é que Ele precisava enterrar.  

Foi um processo muito dolorido, porque amávamos aquelas pessoas. Foi um tratamento para mim, porque o Senhor me disse para ir de porta em porta, me humilhando e pedindo perdão. Lembro que o Senhor me direcionou, também, a ir a duas outras pessoas, que há muito tempo eu não via, do Cachoeirinha, para também lhes pedir perdão.  

Por fim, na última porta em que bati, a pessoa não quis abri-la de forma alguma. Aguardei uns vinte minutos, até que o Senhor me disse: “Como esta porta, está fechada diante de você, hoje eu fecho a porta do teu passado”. Glória a Deus! Tempo de recomeçar! Precisamos de odres novos, para Deus colocar o Vinho Novo, que Ele tem guardado para estes dias! 

 

AVIVAMENTO, A OBRA FEITA EM MIM 

 “Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne...” (Rm 7:18) 

Mesmo em meio a tantas experiências com Deus, respostas de oração e milagres, muitas coisas precisavam ser transformadas em mim. Havia áreas, que eram verdadeiras fortalezas contra todo o propósito que o Senhor havia traçado para minha vida.  

Quando comecei a Torre de Oração, em 2015, mesmo com mais de quarenta anos de vida cristã, a minha carne era tão mais forte que o meu espírito, que eu não conseguia jejuar nem o café da manhã. Algumas vezes, até quebrei o jejum só para sentir o sabor do café com leite na boca. 

Entre tantos erros e fraquezas da minha carne, havia aqueles que eram tão arraigados, tão cheios de altos e baixos na minha vida espiritual, que muitas vezes se tornavam verdadeiras quedas, agindo como fuga das responsabilidades do meu mundo real, e desenvolvendo em mim um quadro de total desânimo, afastamento de Deus, seguido de muita culpa e autoacusação. 

Quando o Senhor quis começar um avivamento na minha cidade, e me chamou para fazer isto através da Torre de Oração, com certeza, Ele teria que começar este grande desafio primeiramente em mim. 

Certa vez, em um momento a sós com Deus, Ele me perguntou: “Que preço você está disposta a pagar, para Eu te levantar em um grande ministério?”. Eu não respondi na hora, pois com certeza, teria que pensar seriamente antes de responder. E depois, em um outro dia, com todo o meu coração Lhe respondi: “Se for me levantar para ser famosa, meu nome conhecido na mídia, eu não estou disposta a pagar preço algum, mas, se for me levantar para salvar pessoas, curar e libertar os cativos das mãos de Satanás, eu estou disposta a pagar o preço, que for necessário”.  

Lembro claramente como Deus se agradou da minha resposta, e como me disse que me daria até o que eu não queria, por ter se agradado de mim. Foi assim, que começou o processo de avivamento na minha vida. O processo de ‘pagar o preço’, que fosse necessário, para salvar, curar e libertar pessoas das mãos de Satanás. 

Tudo se iniciou, com o jejum semanal, que eu fazia no dia que eu entrava na Torre, para clamar pela nossa cidade. Então, seguindo neste mesmo processo, Deus foi me pedindo outras coisas que me eram aprazíveis, para quebrar a força das vontades da minha carne. 

No ano de 2016, Deus me pediu para não rapar a perna durante um ano. Eu rapidamente Lhe respondi: “Mas, Senhor, eu vou me sentir suja, com vergonha do meu esposo”. Ele me respondeu: “É assim que está a minha Igreja, suja diante de mim”. 

Durante este ano de 2016, me sentindo muito incomodada e envergonhada com a perna cheia de pelos, Deus foi me mostrando, por sonhos ou em momentos a sós, muitas áreas do meu passado como mãe, como esposa, como irmã que eu precisava pedir perdão. Algumas coisas me surpreenderam, porque eu nem sabia que estavam lá. 

Logo que eu recebia a revelação, chorava com um arrependimento muito profundo no meu coração, Lhe pedia perdão, e, em seguida, eu pedia perdão à pessoa que Ele havia me mostrado. Me lembro, que algumas vezes, literalmente, senti meu coração e meu peito doerem. Foi um processo bem doloroso.  

No final de 2016, o Senhor me direcionou a juntar meus dois filhos, e pedir perdão a eles com muita sinceridade, muita exposição dos meus erros, falhas e debilidades. Lembro bem, que estava totalmente desarmada, decidida a não deixar mais nada para trás. Foi um momento muito gostoso, onde entre eles, também foi exposto o que precisava ser confessado e perdoado.  

No dia seguinte, de forma surpreendente, o Senhor me disse que eu podia, finalmente, rapar a minha perna. Ele me deu o texto “Vem comigo, amada minha...” (Ct 2), e me disse que durante todo aquele ano, eu havia representado profeticamente a Igreja. Eu me senti uma noiva me preparando para o meu noivo, enquanto rapava a minha perna sentindo todo aquele processo de purificação. 

Durante este ano, o Senhor foi matando a minha carne, em todas as coisas que me dominava. Primeiramente me dava sonhos, e depois me revelava o que eu deveria deixar.  

Deus me pediu o café. Uma vez, tentei teimar com Deus, porque eu só o tomava com leite, e Deus, falando secamente, me respondeu “Não. Porque é viciante”. 

Deus me pediu o tereré. Deus me disse que este era o “vinho”, que eu iria Lhe entregar como “nazireu” (Nm 6). 

Deus me pediu os doces e as sobremesas. Afinal, como eu poderia comer coisas gostosas, em um tempo que era para mim viver o choro, o clamor e o peso do pecado e juízo sobre a Igreja. 

Deus me pediu, também, o pão branco e o “pão francês”, que era algo que eu gostava muito. Ele me disse para comer só “pão integral”, pois este seria o meu pão sem fermento, comido antes da saída do povo de Israel, do Egito (Ex 12).  

Em sequência, tudo em minha aparência parecia em jejum. Eu jejuava maquiagem, meu cabelo caía e era pouco, e minhas roupas e sapatos eram poucas. Tudo em mim, simbolizava o juízo de Deus que pairava sobre nós.  

Além desses jejuns, seguindo a mesma direção de Deus, eu jejuava e jejuo o sono, estabelecendo horários da madrugada para orar, e também refrigerantes e outros alimentos que não fazem bem ao meu corpo, o qual deve ser puro e limpo, para viver até a velhice dando frutos (Sl 92:14). 

Por fim, o jejum mais difícil de todos citados acima, foi quando Deus me pediu toda espécie de carne. Foi em um destes momentos de quebrantamento, em que eu clamava ao Senhor: “Me dê o DNA de Adão, o homem que tinha a tua imagem perfeita, antes de pecar. Me limpa, totalmente”. Deus me respondeu: “Você quer ser como Adão antes de pecar?”, “Adão não comia carne”.  

Naquele momento, me veio à mente, pelo Espírito, o texto “Não haverá morte, em todo o meu Santo Monte” (Is 11.9), e Deus me revelou, que foi desta forma,sem mortes”, que Ele planejou toda a criação. 

Em um processo de muita luta, comigo mesma, porque eu amava carne e churrascos, Deus me disse que é Plano Dele eu não ter envolvimento com nada morto, porque eu precisarei fazer muitas batalhas, contra “espíritos de morte”. E além disso, em algum momento de minha vida, Ele me usará para ressuscitar pessoas. Por isso, tenho jejuado todo tipo de carne, e faço tudo com muita dedicação. 

No início do ano de 2017, Deus ampliou o meu tempo de jejum: “Eu quero que de cada 30 dias, você tire 3, e de cada 70 dias, você tire 7”.  

Com certeza, todo este processo de jejuns em minha vida, tem sido um grande desafio, mas também, um meio de santificação, do qual jamais poderei abrir mão. Os dias de jejum em si, são difíceis e de grandes batalhas. Neste primeiro ano, fui atacada com muitas dores de friagem nas pernas e muito sofrimento. Mas, permaneci firme na batalha, sabendo que Deus estava me forjando uma mulher forte e resistente, para o Seu Propósito. 

Além disso, muito acima das lutas, nestes dias de jejum eu ouço Deus falar comigo, me revelar verdades sobre pessoas, circunstâncias, sobre Si Mesmo e os Seus Planos. Eu tenho experiências sobrenaturais, onde me vejo em espírito em uma outra dimensão, e vejo realidades em um mundo espiritual, que está muito além de mim. Algumas vezes, inclusive, enfrento demônios em batalhas que faço nestes lugares. 

Fazem dois anos, que eu lhe respondi “Estou disposta a pagar o preço que for necessário”. Se, hoje, Ele me fizesse aquela mesma pergunta, no mesmo instante, sem precisar de tempo para pensar, eu Lhe daria aquela mesma resposta: “Eu estou disposta a pagar o preço, que for necessário, para salvar, curar e libertar pessoas das mãos de Satanás”.  

Nenhum preço é alto demais, se nos leva a conhecer Deus, ter a Sua Presença, e experimentar o mundo sobrenatural que Ele tem para nos revelar, e ainda, nos usar. 

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